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Princípio e Fim – Relembramos o quarto disco de Leonardo Gonçalves, lançado em 2012

Em seus dez primeiros anos de carreira solo, Leonardo Gonçalves trilhou um caminho curioso. Poemas e Canções (2002) foi um álbum intenso e, embora tivesse excessos, marcou uma estreia bem sucedida. Viver e Cantar (2007), responsável por iniciar sua aproximação em direção ao grande público, não conseguiu ter todos os prós do anterior. E Avinu Malkenu (2010), que antecedeu “Princípio e fim”, como um registro extremamente específico e segmentado, funcionou muito bem no que se propôs.

Princípio e Fim, lançado em abril de 2012, somou todos os pontos positivos dos álbuns anteriores e ainda agregou uma proposta conceitual acerca da eternidade que deu coesão ao trabalho. O auge comercial de Leonardo, então, confluiu ao ápice de sua maturidade como intérprete, compositor e produtor musical.

Como produtor, Leonardo fornece, juntamente com sua banda, uma musicalidade predominantemente pop, a qual passeia em outros gêneros, como o soft rock, soul, MPB e folk, com maior fluidez que nos registros antecessores. E, além disso, conta com passagens instrumentais primorosas. prelúdio (tsion) e interlúdio (tsion) pintam um belo quadro, preenchido com as tonalidades da Orquestra Filarmônica de Praga.

Ainda que não conhecido como compositor, Gonçalves se sai bem nas letras pelas quais assina. No álbum, Leonardo dialoga acerca do Reino presente e vindouro. O intérprete abraça dois temas complementares cuja abordagem, no universo musical cristão, sempre foi limitada. Da mesma força que abraça temáticas, une compositores diversos em direção ao conceito.

tsion, assinada pelo cantor, faz parte do aspecto mais erudito do álbum. Tiago Arrais é responsável por eu acredito, que faz uma espécie de ponte com os primeiros trabalhos da obra de Gonçalves. Outras paisagens mais introspectivas do projeto, como there e viver o Amor, são canções completas. Todavia, não se findam em si mesmas.

Este contorno, ditado pela coerência, está totalmente presente em Princípio e Fim. Todas as músicas colaboram para constituir um cenário, mas cada faixa tem sua própria intensidade. O hit novo, por exemplo, consegue fornecer com maior amplitude este diálogo popular que o disco, em suas diversas variáveis, quer transmitir. No entanto, em momento algum, se aproxima da mediocridade. Muito pelo contrário: É uma das melhores canções de trabalho dos últimos anos no cenário evangélico.

Das várias funções desempenhadas ao longo de sua carreira, é óbvio que Leonardo Gonçalves é conhecido por suas interpretações vocais. Mas, ao contrário de qualquer demonstração de poder simplesmente pela exibição, o intérprete trabalha suas potencialidades dentro do que cada música se propõe. O resultado é um disco extremamente proporcional, até nas canções as quais sua voz, em notas agudas, se destaca.

Neste sentido, sublime é uma das músicas mais chamativas do projeto. Além disso, ao tratar da busca por alívio em uma vida urbana cada vez mais caótica, a composição de Daniela Araújo consegue transmitir esperança em meio ao caos por meio do arranjo, cheio de harmonias vocais, cordas, piano e guitarra. Reflexões sobre as relações humanas por uma ótica cristã são muito claras na balada bondade e, de forma mais afiada, no soul mente e coração.

Vale destacar o quanto a regravação de jamais, assinada por Felipe Valente, acrescentou à composição que, nesta versão, conta com arranjos vocais bem constituídos. A sonoridade, aparentemente mais leve, é muito mais densa. E quando Princípio e Fim parece “quebrar” o clima com sua condução minimalista, mostra sua função de complemento: O disco termina da mesma forma orquestral de seu início. Um ciclo ou até mesmo um paradoxo que, como a eternidade, é dotado de uma complexidade definitivamente intrigante.

Apesar de denso, Princípio e Fim funciona justamente porque é um projeto fluido. Em termos de produção, discurso e musicalidade, alcança um nível de contemplação que os demais trabalhos de Leonardo não alcançaram. O lançamento veio provar o porquê o cantor é um dos músicos mais inventivos e vanguardistas do cenário evangélico e conseguiu, vagarosamente, mas com eficiência, lapidar as várias arestas de sua música. É um álbum que, aos poucos, está se transformando em um clássico na história da música cristã contemporânea brasileira.

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Roberto Azevedo
Roberto Azevedohttps://pordentrodostreaming.com
Músico com formação pelo CIGAN, atua no mercado musical desde 2005, quando começou a escrever para o portal SuperGospel, tornando-se editor-chefe em 2006. Com experiência em distribuição digital, cofundou a agência 2RA, responsável por mais de 100 lançamentos. Também atua na logística de grandes nomes do mercado e faz assessoria de imprensa e agenciamento para a cantora Marcela Tais desde 2011
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