segunda-feira , 2 março, 2026
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“Auê”: o problema nunca foi a música

Polêmica em torno de “Auê” expõe o desconforto com a cultura brasileira no cristianismo

Bastou aparecer palavra, ritmo e imagem fora do padrão pra uma parte do público gospel reagir do jeito conhecido. Desconfiança, ataque pessoal e grito de heresia. O papo parecia musical, mas era mais fundo. Sim, tem ralo no fundo do poço.

Pra muita gente, a canção “Auê”, do Marco Telles & Coletivo Candiero, soou como ameaça espiritual. Mas o incômodo, ao que tudo indica, não é teológico. É costume. Quando fé vira hábito, qualquer coisa fora do script vira perigo. Primeiro assusta. Pensar vem depois, se vier.

Isso não é novo. O cristianismo brasileiro cresceu sob forte influência missionária europeia e norte-americana, que trouxe o Evangelho junto com roupa, jeito de cantar, jeito de orar e até jeito de se comportar. Com o tempo, esse pacote virou regra sem aviso. O resultado é um olhar cabreiro, atravessado pra própria cultura, como se tudo que é brasileiro fosse meio suspeito. Nelson Rodrigues chamou isso de complexo de vira-lata. Cai bem até hoje.

Aí personagens comuns, como Zé e Maria, viram entidade. Som vira sinal. Ritmo vira alerta. Instrumento desperta o bicho-papão, desses que ficam guardados debaixo da cama junto com o pinico da vovó. E, no meio disso tudo, aparece outra confusão clássica. Louvor, adoração e música viram a mesma coisa, quando nunca foram.

“Auê” fala de cair e aprender com a queda. Fala de mão estendida sem exigência. Fala de um lugar onde se entra como se é. O problema é que nem todo mundo gosta quando a porta se abre para quem não combina com a decoração.

No fundo, o que se lê em muitos comentários é simples. A polêmica passa. A vigilância fica. Mais importante do que entender a música é garantir que nada saia do molde. Deus até pode estar fora da caixa, dizem. Mas é melhor não abusar. Vai que Ele resolve dançar.

Triste. Brinco de Marcellus. Ou seja, uma pena.

 


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Anderson
Anderson
2 de fevereiro de 2026 03:04

Não, não é essa profundidade que você falou. A questão é a forma que o Zé e a Maria são apresentados na canção. O Zé entrou e todo mundo viu e riu? A entidade Zé Pelintra tem como característica a boemia, a chocarrice e o riso. Maria sambou, rodou saia e mostrou cor? Sendo que uma das principais “companheiras” do Zé, é a Maria Padilha, ligada fortemente a pombagira. Aí ele chega rindo e ela rodando saia e mostrando cor? Cara isso é bem difícil de engolir. Se outra metáfora fosse usada bem, pois o ritmo da musica contagia e o talento dos cantores é excepcional. Porém essa parte matou o hino todo.

Enoque
Enoque
Responder para  Anderson
3 de fevereiro de 2026 10:34

Ao ouvir essa parte da música, pensei o mesmo. Quem seria esse “Zé” que enteou e rodo mundo riu? Quem é essa “Maria” que “sambou, rodou saia e ainda “mostrou cor”? Acho que o cristão pode cantar hino em qualquer ritmo. Porém se realmente for algo cristão, precisa apontar para Deus, para Cristo. Precisa estar em total consonância com a Biblia, palavra de Deus.

Ana
Ana
2 de fevereiro de 2026 14:20

Sim!
Já tinha ouvido essa música no álbum original, e de repente, meses depois ela estourou com alguma “polêmica” que eu sinceramente não entendi. Esta música é tão rica em cultura, é uma das formas mais puras de louvor: a original. Penso que é disso que Deus se agrada, adoração sincera. Pessoalmente, essa música não está na minha playlist, não é do meu gosto pessoal, mas eu não vi em nenhum momento um problema na letra ou composição… pelo contrário, achei bem diferente do tradicional, e se me incomodou (o álbum) foi pelos motivos que deveria incomodar; a necessidade de incluir o “outro” no meu mundinho de fé. Lembrem-se que a arte provém de diferentes culturas, e nasce sim num contexto de adoração/sagrado, como tudo na bíblia transparece, depende de onde está o seu coração, e quanto a isso eu não posso responder pelos autores ou compositores, mas posso responder apenas por mim. Por mais arte que louve ao Senhor!

Maria Isabel
Maria Isabel
Responder para  Ana
3 de fevereiro de 2026 23:07

Jesus disse que nos últimos dias os próprios ditos cristãos seriam enganados por Satanás… O Espírito Santo nos convence dos enganos… Sejamos vigilantes

Rodrigo
Rodrigo
2 de fevereiro de 2026 17:54

Eu até poderia concordar, mas aí seria dois idiotas falando muita merd@! Vcs gostam de achar que todo crente é imbecil, né? Fez um textão falando todo tipo de escrotice e acha que é pano suficiente pra passar. Quando os bodes entram no pasto e acham que vão se passar por ovelhas engraçado. Vcs são os bodes da vez. Raça imunda.

Marta
Marta
3 de fevereiro de 2026 03:59

Meu Deus estamos mesmo no fim, como uma pessoa que se diz de Deus, fazer uma música dessa,isso não é cultura e pura macumba, acorda igreja , jesus está voltando, não vamos deixar o diabo agir, que as igrejas não cantem essa música, temos letras lindas que adoram verdadeiramente a Deus.

Timóteo
Timóteo
3 de fevereiro de 2026 09:12

Vocês vão ter que convencer a inteligência artificial também. Hoje em dia está mais difícil criar narrativas para esconder as verdadeiras intenções.

É só colar a letra e perguntar: qual a religião da letra?

“Ela não pertence a uma religião única. A letra é claramente sincrética, típica da espiritualidade brasileira.

Leitura direta (objetiva):

Predominância

→ Umbanda / Candomblé (matriz

afro-brasileira)

Sinais claros:

“Auê” → vocalização ritual, ponto cantado, chamada de roda.

Dança, ciranda, corpo, criança, fé que explode → espiritualidade vivida no

corpo, não dogmática.

“Com a folha eu aprendi” + saber das folhas (fundamento central nas religiões de terreiro).

Céu que se abre / céu colorido → cosmologia simbólica, não literal. Riso, escárnio, inversão do olhar social → típico da lógica dos guias (especialmente Exu e entidades populares).

Sincretismo explícito

→ Cristianismo popular brasileiro “Maria sambou” → Maria como figura viva, dançante, próxima do povo (não a Maria doutrinária).

“Zé entrou” → leitura comum como Zé Pelintra (Umbanda), mas dialogando com o “José” cristão.

“Explodir em glória” + linguagem cristă ressignificada.

O que ela não é

Não é hino evangélico

Não é catolicismo romano ortodoxo Não é doutrina fechada

O que ela é, em essência

Espiritualidade brasileira de terreiro, onde fé dança, cor incomoda, o céu se abre,

e o sagrado aceit

corpo.

Se quiser, posso:

mapear cada símpoio da letra por entidade/arquetipq

ou diz qual linha piritual ela nais toca (Exu, criança, fé popular).

Teina
Teina
3 de fevereiro de 2026 16:58

A música faz alusão a entidades, ou pelo menos é isso que dá o entendimento da letra. Há músicos portando guias no clip. Não se louva a Jesus/Deus na música.

Mesmo que a intenção seja boa e seja tudo uma “grande confusão”, faltou um mínimo de sabedoria e conhecimento da Palavra para evitar toda a confusão.

Se falta sabedoria e conhecimento, se o louvor a Deus não está presente, se causa confusão, e se há músicos portando guias – se está difícil encontrar Deus nisso tudo, acho pouco provável que Ele tenha inspirado isso.

Ou o povo de Deus é muito inocente, ou não são povo de Deus.

Leandro
Leandro
3 de fevereiro de 2026 18:20

O cara falou que passaram o dia com os pataxós na Bahia, comeram e dançaram com eles, e “celebraram a Deus com eles”… e o pajé disse que era hora de começar o Auê… aí a gente que discorda tá errado pq é muito americanizado e tem síndrome de vira lata.

Primeiro que na música desse pessoal quase tudo ali tem origem americana, então isso de largada já é papo furado. Segundo, os brasileiros estão fazendo música brasileira maravilhosa autêntica (brasileiro tem síndrome de vira lata com o João Alexandre?) há décadas, e nunca estiveram envolvidos em polêmicas desse tipo.

Na real, é simples: não misture o Cristo encarnado com as práticas de adoração a outros deuses, que está tudo certo.

Sergio Marques
Sergio Marques
Criador de conteúdo editorial, teológico e musical muito antes do ChatGPT existir. Foi responsável pelo blog do Rev. Paulo Cesar Lima, fã dos Beatles e autor do best-seller O Que Está Por Trás do G12, de quem teve o privilégio de ser aluno. Atuou também como editor-chefe da Folha ADS, documentando missões em aldeias indígenas na Argentina e no Paraguai.
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