A banda paraibana Tedros acaba de lançar música nova e, com ela, mais perguntas deixadas propositalmente sem resposta. Se em “Cadê você?” o grupo transformava a ausência em mistério (sem nunca revelar se falava de um término, de uma perda definitiva ou apenas de alguém que se distanciou da vida), em “Nossos Dias” a inquietação deixa de olhar para alguém específico e passa a mirar o próprio caos de existir.
A composição de Vino L. gira em torno de uma pergunta simples e impossível ao mesmo tempo: “de que são feitos os nossos dias?”. A letra atravessa amor, raiva, solidão, fracasso, euforia e vazio sem tentar organizar nada disso em uma lógica confortável. Pelo contrário. A música entende que viver também é habitar contradições.
Mas essa foi a minha interpretação, e posso estar completamente enganado. Inclusive, depois de ouvir, volta aqui e me diz nos comentários qual foi a sua.
“Nossos Dias” chega ilustrada por uma fotografia do Jardin des Tuileries, em Paris, feita e cedida por Jessica Viegas. A faixa encerra o primeiro ciclo autoral do grupo, marca o décimo primeiro lançamento da Tedros e fecha o percurso de O Dia de Amar é Hoje, trabalho que a banda trata como seu primeiro álbum, ainda que construído faixa por faixa, como uma história contada em capítulos.
Musicalmente, a Tedros segue um caminho que vai na contramão da pressa, fazendo jus ao selo Se Vira Music (cujo logo é uma tartaruga de pernas pro ar). Formada em João Pessoa no fim de 2019, a banda opta aqui por arranjos minimalistas, sem guitarras elétricas ou bateria, apostando numa sonoridade acústica que dá espaço para a canção respirar.
O violão de Max de Lima, o contrabaixo de Samuel Lopes, a pandeirola de Junior Alves e a voz de John Nery criam uma atmosfera íntima e confessional. Nery também assina produção, mixagem e masterização da faixa, gravada em home studio, reforçando a proposta artesanal que acompanha o grupo desde o início.
Agora clica no link abaixo e vai lá. São quatro minutinhos da sua atenção para uma banda do underground cristão com ecos sonoros das décadas de 80 e 90. Aposto que você gasta mais tempo escolhendo algo na Netflix.
Ouça aqui: bit.ly/4toijQa


